Origens da Tensegridade por Renata Murez

Atualizado: 2 de Dez de 2019



Meu nome é Renata Murez e sou uma representante viva da tradição de videntes do México antigo, como foi trazida à luz e tornada pública por Carlos Castaneda, Carol Tiggs, Taisha Abelar e Florinda Donner Grau. Fui aprendiz deles quando Carlos era vivo e o tempo que passei com ele foi em torno de dez anos e com Carol Tiggs de vinte e dois anos.


A linhagem remonta a dezenas de milhares de anos e se podem ver seus vestígios quando olhamos para as ruínas e artefatos Olmecas. Depois a linhagem passou para os Maias e em seguida para os Teotihuacanos em Teotihuacán, atingindo seu apogeu com os Toltecas em Tula e se espalhando pelas áreas vizinhas de Oaxaca.


O que une toda essa tradição é uma crença básica de nossa linhagem, que os antropólogos chamam de mito da Serpente Emplumada. Ou seja, a capacidade de um ser humano normal, através de sua própria disciplina e dessas práticas ancestrais, transformar sua proeminente consciência física em uma consciência adicional de energia.


Em diferentes momentos de sua vida e também no final dela a pessoa neste caminho transforma sua consciência física em consciência de energia, o que lhe permite ir para estados de sonho - sonhos adormecidos ou sonhos acordados - e no final de sua vida ir também para outros mundos.


Um exemplo vivo disto é o que vemos em Teotihuacán, onde existem belas ruínas, o Templo da Lua a um extremo e no Leste o Templo do Sol e no final o que foi a última obra que os Teotihuacanos construíram, o Templo da Serpente Emplumada.


Esse lugar é muito importante para nossa tradição porque todos - todos os habitantes - foram treinados nas artes do Sonho ou nas artes da Serpente Emplumada, a arte de transferir sua energia física para a energia etérea, energia do Sonho e como conta a história eles a usaram para desaparecer como civilização.


Isso pode ser verificado por antropólogos. Quando os Astecas vieram a conquistar Teotihuacán chegaram à cidade e não encontraram teotihuacanos. E os antropólogos não encontraram aumento de população nas aldeias vizinhas no momento da invasão Asteca, que é o modo como eles costumam medir a retirada ou a evacuação da população.


O que os teotihuacanos fizeram para realizar essa façanha como uma civilização completa foi que eles praticaram semanalmente ou mensalmente (o que naturalmente é uma suposição) suas artes de Sonho.


Todos ficavam de frente para o Templo da Serpente Emplumada e cada um em sua consciência de Sonho sustentava uma peça do novo local para onde queriam ir, no qual eles queriam Sonhar a si mesmos e à sua civilização.


Poderíamos afirmar que uma das pessoas sustentava ali em seu espaço de Sonho talvez um templo ou um pedaço do templo, outra pessoa sustentava comida ou água, outra animais e plantas, outra vizinhos…. e a civilização como um todo construiu completamente outra cidade em seu espaço de Sonho para ir até lá quando os Astecas chegassem. E quando os Astecas chegaram a cidade estava vazia e eles disseram: “oops, para onde eles foram?”. Porque o que cada habitante fazia era entrar em seu espaço de Sonho, manter a sua imagem e depois, com a ajuda de algum dos sacerdotes ou dos videntes mais capazes, desaparecer nele. A civilização inteira de um extremo ao outro do grupo desapareceu.


Ao mesmo tempo a cidade de Tula, fundada pelos Toltecas, florescia. Especificamente para os nossos ensinamentos Tula foi a mais avançada nas artes do Sonho, aqui eles não praticavam para que uma civilização inteira fosse a algum lugar no final de suas vidas ou para ir a um lugar de Sonho quando estivessem em perigo.


Em Tula os Toltecas construíram templos onde poderiam energética e conscientemente "saltar" de montanha em montanha e depois de volta. O Sonhador, ou o olho do vidente, os veria "saltar", em seu lado energético do templo, de montanha em montanha e depois retornar ou corporificar em sua forma física. Este é só um exemplo das técnicas extremamente avançadas dos Toltecas na arte de Sonhar.


Também tem as técnicas de Sonho dos videntes que eram capazes de viajar através do tempo. O tempo é uma percepção tão social e linear, mas que não é realmente linear, é mais simultâneo, como os videntes argumentam, então quando os videntes falam sobre viajar no tempo, estão realmente falando de mover-se de um mundo a outro e depois regressar a este mundo e contar suas histórias.


Então é daqui que nossa tradição recebe essa grande ênfase no Sonho.


O rei de Tula se autonomeou Quetzacoatl, que significa Serpente Emplumada, e foi o homem que se dizia ter o maior talento para o Sonho. Ele era muito gentil e compassivo e guiou bem sua gente na hora de ir. Diz-se que ele embarcou em uma jangada de serpentes e flutuou em direção ao pôr do sol para retornar mais tarde em outra época e seu retorno é uma história completamente diferente com muitas interpretações.

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Algumas partes de Tula foram infelizmente destruídas pelos Astecas que chegaram mais tarde e destruíram diretamente o Templo do Sonho - essa foi a maior estrutura que os Astecas demoliram; está em ruínas nos dias de hoje, completamente devastado, enquanto outros templos permanecem intactos.


Assim, os ensinamentos de Quetzacoatl passaram por algumas das aldeias e terras vizinhas e isso é o que vemos na cidade de Monte Albán, Oaxaca e também em Mitla.


Como nossos ensinamentos foram transformados nessas cidades circunvizinhas - reservadas para os guerreiros, os videntes, os líderes e os naguais, que tinham seus santuários secretos, locais especiais de treinamento - quando vamos a esses lugares hoje o que encontramos são as câmaras secretas e o que foi ensinado à maioria das pessoas, em vez dos antigos métodos de Sonhar, a entrar em seu lado energético, conectar-se com a força maior lá fora no infinito e canalizar visões e sonhos em manifestações concretas através de sua arte feita com as mãos. Então, em Oaxaca temos esta magnífica parte de nossa linhagem que existe hoje com tapeçarias, tecidos, esculturas, cestaria e muito mais.


Carlos Castaneda chega a esse contexto como um estudante de antropologia da UCLA e seu "vou dizer desta maneira" porque esta era a forma em que ele se descrevia, como se estivesse escolhendo a maneira mais fácil para concluir sua tese. Ele foi ao México para fazer uma cronologia das plantas medicinais.


Não foi realmente para estudar esta linhagem, mas para perguntar: “Oh, que planta linda! Perguntemos a alguém para que se usa e a cataloguemos.” Ali ele conheceu o vidente de nome Juan Matus, que era herdeiro dessa linhagem dos Toltecas de Tula, e a história de Carlos Castaneda começa então…


Mas Carlos Castaneda, que era uma pessoa muito compassiva com um pequeno grupo de pessoas ao seu redor, não se via deixando este mundo apenas com seu pequeno grupo de pessoas e não dando ao mundo este presente que lhe foi ensinado com todas essas práticas de Sonho e autodisciplina.


E por isso ele e sua equipe - Taisha Abelar, Florinda Donner-Grau e Carol Tiggs – desenvolveram a Tensegridade (Tensegrity®) porque Carlos era o último Nagual e esta é uma nova geração onde cada um de nós através destes ensinamentos seremos nossos próprios líderes, encontraremos nosso próprio ser superior e então seguiremos o caminho da Serpente Emplumada da nossa própria maneira moderna.


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