Dança Circular

“... pois se a Alma é um círculo,

não o é como uma figura geométrica,

mas sim porque a natureza original está nela e ao redor dela

e porque a Alma provém de um princípio,

um centro que deve se juntar ao centro de todas as outras coisas que é Deus.”

 

Tratado das Enéadas/Plotino (205-270 d.C)

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Dança Circular é somente um tipo de dança onde as pessoas dançam em grupo e em círculo, geralmente de mãos dadas, lembrando um pouco as antigas brincadeiras de roda que as crianças faziam.

 

Não é uma atividade exclusivamente infantil, nem tampouco religiosa ou ritualística, mas é a atividade dançante mais democrática que existe porque inclui todo tipo de pessoa, de qualquer idade ou gênero, classe social ou religião, com par ou sem par, sabendo dançar ou não.

 

Em uma sociedade onde impera o individualismo só pode ser bem-vinda uma atividade que por sua natureza circular e inclusiva nos lembra o significado de comunidade, de caminhar juntos com um mesmo propósito.

 

Na Dança Circular existem as seguintes figuras:

O Círculo:

Um grupo de pessoas dispostas em uma roda, de mãos dadas ou não;

O Focalizador:

Uma pessoa treinada para conduzir o grupo;

A Coreografia:

Uma notação escrita de uma coreografia própria para a Dança Circular,

criada por alguém ou colhida das antigas danças dos povos;

A Música:

Que pode ser de vários ritmos e épocas como as antigas da tradição ou do folclore dos povos de todo o mundo;

as clássicas como as de Mozart, Vivaldi, Bach, entre outros;

as modernas como samba, forró, bolero, valsa etc.

E muito mais!

 

Mas a Dança Circular não surgiu das brincadeiras de roda infantis, nasceu praticamente junto com a humanidade. Pesquisadores já concluíram que a dança circular é a mais antiga das artes e foi a matriz de todas as modalidades de danças conhecidas hoje, entretanto, apesar de sua origem primordial, ainda não existe um conceito definido para ela.

 

Um conceito abrangente e único sobre determinado assunto ou prática, facilita seu entendimento, sua aceitação e seu reconhecimento. A ausência de um conceito simples e claro em relação à Dança Circular faz com que seja ignorada dentre as modalidades de dança, mesmo sendo a base de todas, resultando em sua ausência no meio educacional, social e de saúde, apesar dos benefícios, hoje já reconhecidos pela ciência, que a mesma proporciona.

 

Atualmente, em nosso país, pelo fato de ser mais conhecida e divulgada apenas como dança sagrada ou meditativa, a Dança Circular sofre preconceitos porque muitos as veem como ritual religioso ou restrita apenas a pessoas idosas e crianças.

 

Para nós do Metamorphösis o ideal como conceito a ser firmado e divulgado é Dança Circular simplesmente, um título abrangente e que sintetiza bem o espirito acolhedor deste tipo de dança.

 

Versátil ao extremo a Dança Circular pode ser, além de uma divertida forma de lazer, uma ótima prática aeróbica ou uma interessante meditação ativa, se adaptando com perfeição a qualquer atividade em grupo, quer seja com a família e os amigos, quer seja nas empresas e escolas.

A Dança Circular é enriquecedora, pois com ela temos a oportunidade de apreciar vários tipos de música, como as músicas clássicas, as músicas antigas, além das músicas atuais, conhecendo inúmeros ritmos, cantos e danças de muitos países, desde um repertório de danças antigas da cultura dos povos até composições modernas e contemporâneas, algumas familiares à dança de salão.

TIPOS

A Dança Circular comporta muitas denominações, estilos e formas de dançar e cada focalizador ou professor escolhe aquele com o qual mais se identifica. Dentre as várias denominações e estilos, temos por exemplo:

Danças de Raiz ou dos Povos - apoiadas e cristalizadas na cultura dos países como forma de perenizar conceitos, experiências e práticas entre as gerações. Algumas têm coreografias complexas como as da Bulgária, Grécia, Turquia, Israel, exigindo um pouco de experiência para executá-las. Essas danças surgiam espontaneamente entre os participantes da roda.

Danças Coreografadas - incluem todas as danças criadas a partir de um tema, uma ideia, um significado e transcritas mediante símbolos que permitem a memorização dos passos e a repetição da dança sem mudanças significativas na coreografia. Podem utilizar passos variados, mas a base, na grande maioria, são os passos básicos das danças de raiz, nas quais têm sua inspiração. Podem vir apoiadas nos mais diversos ritmos e embaladas por músicas de todos os gêneros. Geralmente os autores são conhecidos.

 

Danças Folclóricas - de cultura popular, representam a identidade social de uma comunidade. Sofrem mutações decorrentes de migrações ou pela miscigenação entre culturas. Em geral são fáceis de dançar. Temos como exemplo no Brasil a Ciranda.

 

Danças da Paz Universal - movimento criado nos Estados Unidos por Samuel Lewis (1896/1971), americano estudioso de religiões comparadas, como um método para promover a paz e uma compreensão mais profunda entre diferenças culturais, raciais e religiosas. Têm caráter cerimonial e meditativo. Nessas danças não são usados instrumentos eletrônicos, apenas percussão ou violão e a voz dos dançarinos;

 

Dança dos Florais - estilo criado por Anastasia Geng, natural da Letônia, com inspiração nos Florais de Bach. São danças com passos simples que aliados à música e a gestos das mãos ou do corpo, criam um simbolismo com o objetivo de integrar a mensagem e o poder das flores ao nosso ser;

 

Dança Sênior – surgiu em 1970 na Alemanha, quando um grupo de pedagogos, sob a liderança de Ilse Tutt, trocou experiências sobre atividades com idosos. A dança é baseada em músicas folclóricas de diversos povos, é rica em movimentos e, em geral, é feita com constante troca de pares. Pode ser lenta ou rápida, sentada ou em pé;

Brincadeiras de Roda - estilo de brincadeira infantil em que crianças e adultos, formados em círculo, cantam e dançam, com ou sem coreografias. São de extrema importância para a cultura de um país. Através delas dá-se a conhecer costumes, o cotidiano das pessoas, festas típicas do local, comidas, brincadeiras, paisagem, crenças. Estão incluídas nas tradições orais e no Brasil, fazem parte do folclore. Normalmente tem origem antiga e muitas versões de suas letras.

 

O CÍRCULO E O CENTRO

 

Talvez o círculo tenha sido o símbolo mais antigo desenhado pela raça humana. Simples de ser executado, é uma forma cotidiana encontrada na natureza, vista nos céus como nos discos do sol e da lua e ocorre nas formas das plantas e dos animais e nas estruturas geológicas naturais.

 

O Cosmos gira, as galáxias giram, o sistema planetário gira, a terra em seus movimentos de translação e rotação, todo o universo gira em círculos.

 

Símbolo da eternidade, arquétipo da totalidade e integralidade, o círculo junto com a esfera significa proteção, dinamismo psíquico, mundo manifestado. É o símbolo da perfeição, daquilo que começa e acaba em si mesmo, da unidade, do infinito e do absoluto. Em muitos casos, são atribuídos aos círculos certos poderes mágicos, de proteção contra os seres maléficos e as vibrações negativas, utilizado em práticas de magias e rituais de iniciação. Sem começo nem fim, o círculo indica atividade, movimento cíclico e tem como característica a tendência ao ilimitado. Por isso, é associado à mudança e às ideias de incorporar, dar e receber.

 

Fisicamente na Dança Circular o círculo é formado pelo dar as mãos que resulta em auxílio e equilíbrio, permitindo a execução correta dos passos pelo apoio que cada participante dá àqueles que estão ao seu lado, facilitando o fluir da dança e da roda. Já o centro físico é o que dá noção de distância, permitindo o movimento giratório uniforme e contínuo da roda.

Quando nos reunimos em roda e estabelecemos um centro comum, é em torno dele que giramos e nos harmonizamos. Estabelecer uma conexão do círculo com o centro, é buscar simbolicamente a luz, a fonte, a criação. Todos na roda são parte da circunferência que converge no centro do círculo, seja com o olhar, seja com o coração.

No círculo a pessoa é requisitada por inteiro a entrar em sintonia com o movimento do grupo e no girar da roda, gradualmente, o dançarino vai estabelecendo conexão com a música, com os passos da dança e com os outros dançarinos, harmonizando-se até conquistar o seu eixo, o seu centro. E é nessa apropriação simbólica do centro que está a força e direção para a reinvenção do cotidiano, fonte inesgotável de começo e recomeço, morte e renascimento, eterna recriação.

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